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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Curso A Magia de Contar Histórias 2013

Atenção! Curso A Magia de Contar Histórias 2013 com Claudia Gomes - Biblioteca E.M. Grajaú - RJ - Inscrições a partir do dia 03 Junho - Tel: 21 2214-30-27

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A chama da Alma


A chama da Alma

Havia um sábio Rei que apesar de ser muito rico, tinha a fama de ser um grande doador, desapegado de sua riqueza.
De uma forma bastante estranha, quanto mais ele doava ao seu povo, auxiliando-o, mais os cofres do seu fabuloso palácio se enchiam.
Um dia, um súdito que estava passando por muitas dificuldades, procurou o rei. Ele queria descobrir qual era o segredo daquele poderoso e rico monarca.
O súdito muito religioso não conseguia entender como é que o rei, que não estudava as sagradas escrituras, nem levava uma vida de penitência e renúncia, ao contrário, vivia rodeado de luxo e riquezas, e não se contaminava com tantas coisas materiais…
Afinal, ele, súdito, havia renunciado a todos os bens da terra, vivia meditando e estudando e, contudo, se reconhecia com muitas dificuldades na alma. Sentia-se em tormenta. E o Rei era virtuoso e amado por todos…
Ao chegar em frente ao rei, perguntou-lhe qual era o segredo de viver daquela forma, e o rei lhe respondeu:
- Acenda uma lamparina e passe por todas as dependências do palácio e você descobrirá qual é o meu segredo.
- Porém, há uma condição: se você deixar que a chama da lamparina se apague, cairá morto no mesmo instante.
O súdito pegou uma lamparina, acendeu e começou a visitar todas as salas do palácio. Duas horas depois voltou à presença do Rei, que lhe perguntou:
- Você conseguiu ver todas as minhas riquezas do palácio?
O súdito, que ainda estava tremendo da experiência porque temia perder a vida, se a chama apagasse, respondeu:
- Majestade, eu não vi absolutamente nada. Estava tão preocupado em manter acesa a chama da lamparina que só fui passando pelas salas, e não notei nada.
Com o olhar cheio de misericórdia, o rei contou o seu segredo.
- Pois é assim que eu vivo. Tenho toda minha atenção voltada para manter acesa a chama da minha alma, que, embora tenha tantas riquezas, elas não me afetam.
- Tenho a consciência de que sou. Eu que preciso iluminar meu mundo com minha presença e não o contrário.

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segunda-feira, 16 de abril de 2012

VITÓRIA RÉGIA


VITÓRIA RÉGIA


Vitória Régia
A lenda da vitória-régia é uma lenda brasileira de origem indígena tupi-guarani.
Há muitos anos, em uma tribo indígena, contava-se que a lua ,era uma deusa que ao despontar a noite, beijava e enchia de luz os rostos das mais belas virgens índias da aldeia, Sempre que ela se escondia atrás das montanhas, levava para si as moças de sua preferência e as transformava em estrelas no firmamento.
Uma linda jovem virgem da tribo, a guerreira Naiá, vivia sonhando com este encontro e mal podia esperar pelo grande dia em que seria chamada pela lua.
Um dia, tendo parado para descansar à beira de um lago, viu em sua superfície a imagem do deusa amada: a lua refletida em suas águas. Cega pelo seu sonho, lançou-se ao fundo e se afogou. A lua, compadecida, quis recompensar o sacrifício da bela jovem índia, e resolveu transformá-la em uma estrela diferente de todas aquelas que brilham no céu. Transformou-a então numa "Estrela das Águas", única e perfeita, que é a planta vitória-régia.
Assim, nasceu uma linda planta cujas flores perfumadas e brancas só abrem à noite, e ao nascer do sol ficam rosadas

sábado, 28 de janeiro de 2012

Os Compadres Corcundas

Os Compadres Corcundas

Era uma vez, dois compadres corcundas, um Rico outro Pobre. O povo do lugar vivia zombando da corcunda Pobre e não reparava no Rico. A situação do Pobre andava preta, e ele era caçador.

Certo dia, sem conseguir caçar nada, já tardinha, sem querer voltar para casa, resolveu dormir ali mesmo no mato.
Quando já ia pegando no sono ouviu uma cantiga ao longe, como se muita gente cantasse ao mesmo tempo.

Saiu andando, andando, no rumo da cantiga que não parava. Depois de muito andar, chegou numa clareira iluminada pelo luar, e viu uma roda de gente esquisita, vestida de diamantes que brilhavam com a lua. Velhos, rapazes, meninos, todos cantavam e dançavam de mãos dadas, o mesmo verso, sem mudar:

Segunda, Terça-feira,
Vai, vem!
Segunda, Terça-feira,
Vai, vem!

Tremendo de medo, escondeu-se numa moita e ficou assistindo aquela cantoria que era sempre a mesma, durante horas.

Os Compadres Corcundas

Depois ficou mais calmo e foi se animando, e como era metido a improvisador, entrou no meio da cantoria entoando:

Segunda, Terça-feira,
Vai, vem!
E quarta e quinta-feira,
Meu, bem!

Calou-se tudo imediatamente e aquele povo espalhou-se procurando quem havia falado. Pegaram o corcunda e o levaram para o meio da roda. Um velhão então perguntou com voz delicada:

- Foi você quem cantou o verso novo da cantiga?

- Fui eu, sim Senhor!

- Quer vender o verso? - perguntou então o Velhão.

- Quero sim, senhor. Não vendo não, mas dou de presente porque gostei demais do baile animado.

O Velho achou graça e todo aquele povo esquisito riu também.

- Pois bem - disse o Velhão - uma mão lava a outra. Em troca do verso eu te tiro essa corcunda e esse povo te dá um Bisaco novo!

Passou a mão nas costas do caçador e a corcunda sumiu. Lhe deram um Bisaco novo e disseram que só o abrisse quando o sol nascesse.

Os Compadres Corcundas

O Caçador meteu-se na estrada e foi embora. Assim que o sol nasceu abriu o bisaco e o encontrou cheio de pedras preciosas e moedas de ouro.

No outro dia comprou uma casa com todos os móveis, comprou uma roupa nova e foi à missa porque era domingo. Lá na igreja encontrou o compadre rico, também corcunda. Este quase caiu de costas, assombrado com a mudança. Mais espantado ficou quando o compadre, antes pobre e agora rico, contou tudo que aconteceu ao compadre rico.

Então cheio de ganância, o rico resolveu arranjar ainda mais dinheiro e livrar-se da corcunda nas costas.

Esperou uns dias e depois largou-se no mato. Tanto fez que ouviu a cantoria e foi na direção da toada. Achou o povo esquisito dançando numa roda e cantando:

Segunda, Terça-feira,
Vai, vem!
Quarta e quinta-feira,
Meu, bem!

Os Compadres Corcundas

O Rico não se conteve. Abriu o par de queixos e foi logo berrando:

Sexta, Sábado e Domingo,
Também!

Calou-se tudo novamente. O povo esquisito voou para cima do atrevido e o levaram para o meio da roda onde estava o velhão. Esse gritou, furioso:

Quem mandou se meter onde não é chamado seu corcunda besta? Você não sabe que gente encantada não quer saber de Sexta-feira, dia em que morreu o filho do alto; sábado, dia em que morreu o filho do pecado, e domingo, dia em que ressuscitou quem nunca morre? Não sabia? Pois fique sabendo! E para que não se esqueça da lição, leve a corcunda que deixaram aqui e suma-se da minha vista senão acabo com seu couro!

O Velhão passou a mão no peito do corcunda e deixou ali a corcunda do compadre pobre. Depois deram uma carreira no homem, que ele não sabe como chegou em casa.

E assim viveu o resto da sua vida, rico, mas com duas corcundas, uma na frente e outra atrás, para não ser ambicioso.

Nota: Conto de origem européia, levemente adaptado pelos brasileiros.

Fonte: sitededicas.uol.com.br http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/literatura-infantil-contos-tradicionais/os-compadres-corcundas.php

domingo, 22 de janeiro de 2012

Um conto de fadas bem maluquinho - Sheila Jorge

Era uma vez uma menininha muito fofa chamada Chapeuzinho Vermelho.

Seu nome era esse porque sua mãe fez para ela um casaquinho vermelho com um capuz e ela só usava ele, no frio e no calor.

Um belo dia, sua mãe pediu que ela fosse visitar sua vovozinha, que morava em uma casinha na floresta e estava meio dodói.

Então, ela pegou uma cestinha e foi pela estrada a fora, bem sozinha, levar uns doces para a vovozinha…

Com medo de encontrar o Lobo Mau pelo caminho, ela pegou um atalho e foi pela floresta.

Logo ela encontrou uma casinha bem bonitinha e bateu na porta: pam, pam, pam…

E uma menininha de Cachinhos Dourados abriu a porta.

Ela perguntou: – é aqui que a vovozinha mora?

E Cachinhos Dourados respondeu: – não, aqui é a casa dos 3 ursos. Quer tomar um mingau comigo?

Ela agradeceu, mas resolveu seguir seu caminho.

Logo adiante ela encontrou outra casinha e novamente bateu na porta: pam, pam, pam…

Dessa vez quem abriu foi uma linda moça branca como a neve, lábios vermelhos como o sangue e cabelos negros como o ébano.

Chapeuzinho Vermelho perguntou: – aqui é a casa da vovozinha?

E a moça respondeu: – não, aqui é a casa dos 7 anões. Quer entrar e comer uma maçã?

Ela ficou tentada a aceitar o convite, mas preferiu continuar sua procura pela casa da vovó.

Em seguida, passou por uma casa muito estranha, cheia de doces em volta, mas como escutou gritos de um menino e uma menina, ficou com medo e resolveu não bater lá… que sorte, era a casa da bruxa má que havia prendido João e Maria.

Saiu para procurar ajuda para os meninos e bateu em uma casinha de palha que ficava bem perto dali… Pam, pam, pam…

Um porquinho muito medroso, nem abriu a porta e já foi mandando ela ir embora dali por causa de um Lobo Mau que estava rondando a vizinhança.

Ela ficou mais assustada ainda e começou a chorar.

De repente, apareceu um coelho branco, de casaca e relógio, que falava sem parar que estava atrasado e ela pediu ajuda a ele.

O coelho disse que não podia ajudá-la, pois tinha que tirar uma tal de Alice da casa dele, pois ela tinha comido uma pastilha e estava enorme! seu pé até tinha entupido a chaminé dele, acredita?

Ela parou de chorar e continuou sua busca pela casa da vovozinha.

Encontrou uma casinha tão bonitinha que parecia até uma casinha de bonecas. E não é que era? Era a casa do Gepeto, pai do Pinóquio e ela nem precisou fazer pam, pam, pam na porta porque a mesma estava aberta e adivinha quem estava lá dentro: a vovozinha! jogando baralho com Eles!

Chapeuzinho ficou muito feliz por ter encontrado sua vovó e eles mais ainda por ela ter chegado com aquela cesta cheia de docinhos para adoçar o dia deles…

Xiiii, falando em doces, o que será que aconteceu com João e Maria?

Ah… eles conseguiram escapar e a bruxa se contentou em cozinhar o Lobo Mau para o jantar!

Sheila Jorge

Fonte: http://contosdeninar.wordpress.com/2011/05/15/um-conto-de-fadas-bem-maluquinho/#comments

sábado, 7 de janeiro de 2012

A Centopéia e seus Sapatinhos - Milton Camargo

Naquela manhã, a Centopeinha acordou mais cedo.

Era dia de comprar sapatos e ele gostava muito de fazer compras.

Levantou, arrumou a sua caminha e foi para sala tomar café.

Sua mãe já tinha arrumado a mesa. O café estava quentinho e havia uns bolinhos de que ela gostava muito.

-Menina, ande logo! Senão vamos chegar muito tarde, e não vai dar tempo de comprarmos todos os sapatos de que precisamos.

Dona Centopéia e sua filha pegaram os seus chapéus e suas sombrinhas, porque estava um sol muito forte, e saíram.

Quando chegaram à loja, a joaninha veio atendê-las:

-Bom dia, D. Centopéia! Como sua filha está bonita! Fazia tempo que a senhora não aparecia.

A Centopeinha e sua mãe foram olhar os sapatos que estavam na vitrina.

A Centoprinha pediu um sapato vermelho, muito bonitinho.

A Joaninha subiu e desceu a escada, subiu e desceu, subiu e desceu diversas vezes para razer os pares de sapato para amenina.

A Joaninha colocou os sapatos na Centopeinha e ela andou um pouco para ver se eles não apertavam os seu pezinhos.

-Dona Joaninha, estão muito apertados. Não tem um número maior?

-pediu a Centopeinha.

E a Joaninha subiu e desceu novamente a escada, subiu e desceu, subiu e desceu diversas vezes para buscar sapatos maiores.

Quando acabou de colocar os sapatos nos pés da Centopeinha, a Joanhinha não tinha mais forças nem para levantar.

Dona Centopeia, então abriu a sua bolsinha, pagou os sapatos e disse para Joanhinha:

-Você, hoje está muito cansada. Amanhã eu volto para comprar os meus sapatos.

E a Joaninha desmaiou.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

NATAL EM PAZ

NATAL EM PAZ

Por Débora Villela Petrin


Aromas de amor, pingando células de luz,

cobrem os paladares ávidos de harmonia,

Reis se acomodam em cadeiras soberbas,

'a espera do ser magistral, em sua imagem sagrada,

Espelhos rotativos cruzam caminhos sangrentos,

sem mágoas aparentes, a celebração é consagrada na taça mágica da vida,

Nasce a figura do libertador! Envolta em manta transparente,

a palavra PAZ é nomeada como fonte de vida eterna,

Os olhos sentem a magnitude da fé,

transbordando o tom da oração aos corações sedentos.

Débora Villela Petrin

Noite Mágica - Débora Villela Petrin

Em uma casa no alto de uma montanha com muita nebulosidade morava um senhor bondoso, com cabelos grisalhos e encaracolados, olhos verdes, pele clara, rosto com traços delicados e expressivos. A casa era “decorada” pela generosidade dessa doce criatura.
Toda pintada na cor ocre, as janelas eram feitas de madeira em formato de pequenos corações entrelaçados, as cortinas tinham a transparência para que a luz do dia invadisse a sua alma de amor, os quartos eram pequenos e cheios de lembranças de um passado esplendoroso, os objetos possuíam as marcas desse outrora, os tapetes macios faziam as pegadas das suas botas serem suaves, sem ruídos nenhum, os únicos sons possíveis de serem ouvidos eram os dos pássaros gorjeando nas manhãs cobertas pela névoa, nas quais o céu aos poucos se abria mostrando toda a sua beleza com o seu azul radiante.
O senhor era um colhedor de trigo, o cultivo do mesmo era intenso na região. No meio de tanto trigo, as inúmeras flores, pelas quais a casa era cercada, os miosótis, as flores do campo, os ipês, as dálias, todas elas com suas cores vivas deixavam a paisagem do topo da montanha ainda mais bela.
Durante toda sua vida ele havia passado a maior parte do tempo entre as colheitas de trigo, com as flores, livros e recordações... E também com a preocupação em oferecer no Natal, pequenos presentes as crianças da comunidade, mas durante esse ano ele não tinha a quantia suficiente para a compra dos mesmos, assim ele andava muito pensativo... Sentado em sua cadeira de balanço com a sua manta sobre as suas pernas, ele pensava em como poderia ofertar algo para as crianças que tanto alegravam a sua vida, e especialmente na noite de Natal, na qual a comunidade se agrupava, e como em um casulo compartilhavam do calor de estarem todos juntos para celebrarem a noite tão esperada e especial para todos.
Os dias foram passando, e em uma bela manhã junto ao cantar de um sabiá, ele foi ao trigal, e recolheu todos os trigos mais verdes da safra, ficou horas fazendo essa colheita. E assim construiu uma árvore gigante utilizando eles, criou uma verdadeira escultura usando dos recursos naturais para isso. Trigo, folhas, flores, uma obra-de-arte elaborada com simplicidade e criatividade. Colocou bilhetinhos por toda a árvore, e nesses pedacinhos de papel escreveu mensagens para as crianças, palavras de amor, de encorajamento, de paz, de sentimentos que só os nossos corações podem sentir.
Deixou a gigante árvore guardada para a Noite de Natal. Nessa noite tão esperada, quando ele abriu a porta do local no qual a mesma estava escondida, ele teve a sensação de estar sonhando...
Em cada pedaço de sua obra-de-arte, havia, caixas de presentes com anjos feitos de chocolate iluminados por luzes multicoloridas... As crianças quando entraram ficaram com os sorrisos estarrecidos pela beleza do momento, as luzes das caixinhas brilhavam de uma maneira tão intensa que ofuscaram as luzes artificiais. E assim todos ficaram iluminados por essa alegria contagiante do amor ser transformado em pura realidade...
O amor, o mais gracioso de todos os bens... O maior presente dado aos seres humanos, nessa Noite Mágica.
Débora Villela Petrin

Fonte: http://www.paralerepensar.com.br/natalempaz.htm

sábado, 12 de novembro de 2011

AGUARDANDO O MENINO QUE VIRÁ!

A rosa de Natal - (Selma Langerloff)

O convento de Oved, próximo as grandes cadeias de montanhas geladas, estava em festa. Esperavam, embora não soubessem o dia ao certo, a visita de seu Arcebispo.

Todos se movimentavam. No meio dos preparativos do trabalho normal do dia e das orações agora limpavam as clausuras, varriam os grandes corredores, poliam os metais, limpavam a grande capela.

Tudo para mostrar organização e alegria por tão importante visita. Além de todas as responsabilidades o Abade Hans ainda, tinha tempo para cuidar de seu jardim. Ah! O jardim do Convento era realmente uma beleza!

As rosas eram as mais lindas. As begônias, os cravos sempre difíceis de pegar e florescer sempre nos mais diversos matizes. Também, o tempo ajudava.

Era verão e a neve estava bem distante. A única coisa que entristecia aos moradores da vila e do convento era a existência de um “salteador”.

Era conhecido só por este nome, Salteador. Era temido por todos, embora nunca ninguém o tivesse visto. Todos sabiam que morava com a mulher e filhos no alto da montanha, lá onde o frio era grande e a neve nunca deixava de cair.

Diziam no povoado que o “Salteador” quando jovem havia matado um homem, numa briga. Fugira se escondendo no alto da montanha. Seu castigo seria a prisão. Porisso nunca descia. Mas a mulher e seus filhos quando precisavam de comida ou algum vestuário vinham até o sopé da montanha e exigiam.

O povo temeroso da vingança do salteador dava-lhes tudo. E assim foi passando o tempo.

Um dia, próximo a chegada do Arcebispo, a mulher do salteador desceu a montanha e se aproximou do convento viu que uma de suas portas laterais estava aberta, o que não era comum, mas com a chegada do Arcebispo tudo estava acontecendo diferente.

Logo se aproximou e entrou. Assim que transpôs o umbral da porta deu de frente com um lindo jardim, florido com todas as tonalidades existentes, uma maravilha.

Quase não acreditou no que viu. Ela e os filhos entraram e começaram a andar e apreciar tanta beleza. Neste exato momento também chega ao jardim um dos auxiliares do Abade Hans, conhecimento simplesmente por “Irmão Leigo” e foi logo dando o maior sermão.

Vocês não podem entrar, isto é um convento somente dos frades. Saiam, saiam! Quanto mais falava mais a mulher e seus filhos penetravam pelas grandes alamedas.

A gritaria foi tanta que o Abade Hans ouviu lá de dentro e saiu rápido para ver o que havia acontecido.

A mulher não se deu por achada. Bateu pé que não sairia enquanto não visitasse aquele jardim. E para falar a verdade aquele jardim era bonito, mas não era o MAIS BONITO do mundo. Ela sim conhecia um diferente. Só de rosas haviam milhares.

E as brancas?
Inigualáveis. Elas floresciam em pleno inverno. E essas só aparecem no verão.

Ah! as suas rosas. Não existiam iguais.

E aquelas ali não chegavam nem aos pés. Ao ouvir isto o Abade Hans, amante das flores, das folhagens e em especial das rosas não acreditou e pediu-lhe para contar como era esse jardim de natal, nascidas durante o rigoroso inverno das montanhas.

E ela, misto de vaidade e ousadia falou de seu jardim de natal, onde tudo florescia; os pássaros cantavam; as águas corriam.

Tudo isto acontecia somente na noite de natal. E era só para eles. O Abade Hans estava perplexo. Já tinha ouvido falar deste misterioso jardim de Natal que florescia em pleno inverno no alto da montanha. Achou que era exagero do povo. Pediu à mulher que o levasse lá.

A mulher do “Salteador” resolveu levá-lo. Ficou combinado que próximo ao Natal ela ou um dos filhos viria pegá-lo. E o tempo passou.

O tempo passou e finalmente o Arcebispo chegou. Foram muitas comemorações.

O velho Abade lembrou a visita da mulher do Salteador e resolveu interceder por ele junto ao Arcebispo que era a maior autoridade da região. Somente ele poderia conseguir a indulto/absolvição do salteador. O Abade argumentou, argumentou e para finalizar, tentando obter a atenção do seu superior contou sobre o jardim de natal do alto da montanha.O astuto arcebispo ouviu toda a história e sabendo ser impossível aquilo tudo pensou nada pedir para o salteador. Ficaria tudo como estava.

Mas.... pediu, já que o Abade iria ao alto da montanha, ele pediu que trouxesse uma rosa branca, em pleno inverno.Próximo ao Natal o Abade Hans se preparou. Finalmente a esposa do Salteador cumpriu a promessa e lá foram eles montanha acima.

Quando chegou na caverna onde vivia a família ficou horrorizado com a pobreza existente. Foi o tempo de descansar um pouco, informar-lhes que havia pedido o indulto ao Arcebispo e logo em seguida seguiram para o lado mais inclinado da montanha.

Lá surgiria o jardim de natal. Não demorou muito e o Abade começou a ouvir sons inexistentes há minutos atrás. Parecia canto de pássaros, folhagem se movimentando, pequenos animais indo e vindo. Finalmente o Abade ouviu som de água em movimento, montanha abaixo.

Começou a enxergar os grandes pinheiros com seus galhos repolhudos acolhendo inúmeros pássaros. Não acreditava em tamanha beleza.

E o cheiro de terra molhada? O coração do velho Abade parecia que não cabia mais nada. Era muita felicidade. Seus olhos encheram-se de lágrimas.

Os grandes ursos passavam próximo preocupados em procurar colméias para comer o saboroso mel. Toda a floresta agora inteiramente formada era só movimento, beleza e harmonia.Entretanto, este encanto foi quebrado pelas duras palavras do Irmão Leigo, que não tendo sensibilidade alguma não acreditava que um milagre poderia acontecer. Grito alto: Sai daqui Satanás. Isto não poder estar acontecendo. Assim que disse as últimas palavras tudo desapareceu por encanto. Todos estarrecidos com o fato não acreditavam no que viam.

A sua noite de natal acabara!. Foi neste momento que o Abade Hans sentiu que suas forças lhe abandonavam e cai morto no chão gelado da montanha.Assim que o corpo do Abade Hans chegou ao Convento de Oved começaram os preparativos para o velório.

Logo notaram que ele trazia fechado em suas mãos uns ramos, parecidos com mudas de plantas. Tiraram deixando de lado.Nessa altura o Irmão Leigo consciente de sua burrice não tinha o que fazer. Sua insensibilidade havia terminado com tudo.

Teve uma idéia de plantar aqueles ramos trazidos pelo Abade.

No próximo Natal o Irmão Leigo, muito triste passeava pelo jardim agora coberto de neve se lembrando do amigo que ele perdera. Observou um canteiro. Havia algo diferente. Não acreditou no que via. Em pleno inverno, no local onde havia plantado os ramos trazidos pelo Abade Hans, havia crescido a mais linda rosa que já vira, nascida em pleno inverno.

Chamou todos do convento. Imediatamente lembrou da conversa do Abade com o Arcebispo e a promessa de trazer-lhe uma rosa, nascida no inverno. Apanhou a flor e levou-a até a residência do Arcebispo, longe dali. Assim que viu a rosa e a explicação do Irmão Leigo o Arcebispo sentiu que algo de diferente havia acontecido.

Providenciou o documento de soltura do “Salteador” que pode descer a montanha e viver como os demais moradores do Vale uma vida digna de trabalho e liberdade.

(Retirada do livro Contos de Selma Langerloff)