quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Bumba-meu-boi

Recontada por Claudia Rodrigues Gomes

Foi há muito tempo que tudo aconteceu, em uma fazenda cujo dono era muito rico, suas terras se estendiam a perder de vista, havia várias criações de animais como gado, porcos, galinhas... Nesta fazenda também havia muitos empregados.

Um dia Catirina ,que estava grávida , e era esposa de um caboclo chamado Francisco , sentiu desejo de comer língua de boi

- Francisco, tô com vontade de comer língua de boi - disse a mulher.

- Você está doida, mulher? Desde quando pobre come carne? Não temos boi. O gado pertence ao patrão.

- Ah! Francisco, eu quero! Tenho uma idéia, você não precisa matar o boi, é só cortar a língua dele, ninguém vai perceber.

- Ah! Não, não e não.

Mas Francisco, naquela noite ficou preocupado e não conseguia dormir, andava de um lado para o outro sem parar. Até que , de repente... ele decidiu ; pegou um facão, foi até o pasto e escolheu o boi mais gordo, mais bonito e que parecia mais forte. Levou-o para a mata e então cortou sua língua, deixando-o amarrado a uma árvore.

Levou a língua para casa e Catirina colocou na panela, cozinhou, cozinhou e depois que estava pronta , ela comeu, comeu, comeu até não aguentar mais, sua barriga parecia que ia estourar de tão grande que ficou.

Quando estava quase amanhecendo , o fazendeiro foi ver os animais e sentiu falta do seu boi de estimação . Ele ficou furioso e chamou o capataz, e perguntou se ele havia visto o boi. Como o capataz não tinha visto nada o fazendeiro disse:

- Mande o capitão do mato reunir uns índios para sair à procura do boi na mata, porque os índios conhecem bem todos os caminhos.

Francisco estava muito preocupado com o boi e foi até a mata . Chegando lá ele viu que o boi estava moribundo, então ficou desesperado, sem saber o que fazer.

O capitão do mato acabou encontrando Francisco com o boi e perguntou o que tinha acontecido. Francisco explicou tudo e o capitão do mato disse:

- O patrão vai tirar seu “coro”, este boi era o preferido dele. Vou chamar um veterinário.

Quando o veterinário chegou examinou, examinou e disse:

- Esse não tem mais jeito.

O capitão do mato chamou um padre, que rezou, rezou, rezou e nada, e quando o boi deu o último suspiro ele falou:

- Não posso fazer milagres.

O capitão do mato levou todos até a fazenda, e quando o fazendeiro viu seu boizinho preferido mortinho, ficou doido de raiva e quis explicações.

O patrão mandou castigar Francisco com chibatadas e depois o expulsou da fazenda com sua mulher.

Francisco , machucado , e Catirina foram embora para a mata. Andaram, andaram, andaram... até que encontraram um Pajé, que foi logo perguntando o que faziam ali. Eles explicaram tudo e o Pajé disse:

- Vamos até a fazenda que vou tentar ajudá-los. - E foram.

Chegando lá ele pediu que todos se concentrassem, deu um remédio à base de ervas para o boi, fez rezas e entoou cantigas, pois o Pajé possui muita sabedoria, conhece muitas rezas, muitas ervas que curam, cantigas sagradas e histórias.

E de repente o boi começou a se mexer, mexer e foi levantando até que ressuscitou, e começou a dançar.

Todos ficaram muito felizes e fizeram uma festa. O patrão perdoou Francisco e Catirina. E até hoje se comemora a festa do boi em vários lugares do Brasil.



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